terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Introdução à História do Design

Introdução à História do Design
A História do Design possui como marco definidor da atividade a industrialização e, sobretudo, a Revolução Industrial. Foi durante a Revolução Industrial que teve início um período de inovações técnicas e grandes transformações nos processos de fabricação e nas formas de trabalho. Até o século XVII e XVIII os artesãos reuniam-se em torno das guildas, ou corporações de ofícios. Essas corporações possuíam regras próprias e os artesãos adquiriam mais prestígio e reconhecimento de acordo com o conhecimento e habilidade. A experiência de um artesão abrangia todas as etapas do processo de fabricação: do planejamento à produção. Com a Revolução Industrial, este conhecimento amplo é substituído pelo processo fabril e industrial, onde cada etapa do trabalho torna-se mais especializada. Neste sistema as atividades de planejamento e produção são separadas e o designer, segundo Cardoso (2004), é o profissional que emerge do processo de produção. Desta forma, valorizam-se os profissionais que possuem conhecimento no planejamento de produtos, como o desenho de formas, motivos decorativos, estilos. Surgem os desenhistas de livros de padrões, como eram chamados os livros de modelos de desenhos e gravuras.
Antecedentes da industrialização
Os antecedentes da organização industrial encontram-se nas manufaturas reais, que reuniam várias pequenas oficinas na produção de artigos específicos para a corte. A manufatura de Gobelins, na França, foi criada durante o governo de Luís XIV. Seu diretor, o pintor Charles Le Brun, desenhava e planejava formas e motivos decorativos para vários artigos: objetos decorativos, tapeçaria e mobiliário.
A manufatura de Meissen, na Alemanha, foi inspirada por Gobelins. Sua produção concentrou-se nas louças e objetos decorativos de cerâmica. Logo a França criou a sua própria manufatura exclusiva de cerâmicas, em Sevrès.
Organização industrial: do artesanato à indústria
No contexto anterior à Revolução Industrial, encontramos propostas de empresários que identificaram no design oportunidades para aperfeiçoar seus produtos. Entre estes empresários, destacam-se os ingleses Thomas Chippendale, Matthew Boulton e Josiah Wedgwood. Chippendale desenhava e fabricava mobiliário ao gosto eclético da época; seus móveis eram interpretações da moda rococó e oriental, muito em voga durante o século XVIII. Já o empresário Matthew Boulton era responsável pelo comércio de “bugigangas” de Birmingham, como eram chamados os vários artigos de metal tais como fivelas, presilhas, botões. (HESKETT, 1998).
Wedgwood fundou na Inglaterra, durante o século XVIII, uma fábrica que produzia cerâmica, dividida em artigos “úteis” e “ornamentais” (HESKETT, 1998). Wedgwood produzia cerâmica de qualidade a preços acessíveis para a classe média que não poderia adquirir as porcelanas chinesas ou os produtos de Meissen e Sevrès. Wedgwood pesquisou e inovou a produção de louças ao simplificar moldes para argila, substituindo a modelagem com tornos.
Ele também trabalhou com materiais que permitiam moldes mais precisos e rápidos, além de aperfeiçoar a qualidade dos materiais tradicionais. Seus produtos ornamentais possuíam decorações no estilo neoclássico da época, inclusive com réplicas de vasos romanos antigos. Wedgwood contava com artistas e desenhistas que criavam motivos decorativos e formas para as peças. E ainda utilizava os livros de padrões, com modelos de louças que poderiam ser encomendadas pelos clientes.
Referências
CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2004.
FIELL, Charlotte and Peter. Design do Século XX. Itália: Taschen, 2005.
ITAÚ CULTURAL. Enciclopédia Artes Visuais. Termos e Conceitos. Disponível em:http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos
HESKETT, John. Desenho Industrial. 2. ed. São Paulo: Editora José Olympio, 1980.
. Design. São Paulo: Editora Ática, 2002.
PEVSNER, Nikolaus. Pioneiros do Desenho Moderno: de William Morris a Walter Gropius. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
TAMBINI, Michael. O design do século. São Paulo: Ática, 1997.
VICTORIA AND ALBERT MUSEUM. Style Guide Arts and Crafts. Disponível em: http://www.vam.ac.uk/vastatic/microsites/british_galleries/bg_styles/Style09a/index.html

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